Nossa sede

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O sonho da casa própria!

As primeiras reuniões da APP eram feitas de improvisada. Durante anos, aliás, a falta de um local mais apropriado para as atividades da associação foi sempre uma preocupação. A busca por uma sede própria virou prioridade.

Os custos de manutenção da entidade sempre estiveram entre as grandes preocupações de seus gestores. Entre eles, o aluguel pesava.

Por questões financeiras, mas também porque a APP não se via com vocação para viver eternamente de aluguel, o sonho da sede própria começou a se insinuar nos planos da associação já no início dos anos 50.

Em 1952, a entidade consegue ver aprovado projeto de lei que lhe concedia uma subvenção federal de vinte mil cruzeiros. Poderia ser alicerce para edificar o sonho. Animada, a diretoria da época, presidida por Carlos Alberto Santos, um dos sócios da Santos & Santos, lança um Livro de Ouro para levantar os fundos adicionais para a aquisição da sede própria. Conseguiu realizar um grande show musical com apoio da Rádio Nacional no Teatro de Cultura Artística em prol do projeto. São levantados mais de setenta mil cruzeiros em doações de sócios. A coisa parecia estar indo bem. Melhor ainda porque no ano seguinte, o
projeto de subvenção previa que o valor subiria para cinqüenta mil cruzeiros.

Bem, infelizmente, não seria dessa vez. O fato é que os recursos federais nunca chegaram aos cofres da APP e o dinheiro arrecadado com o Livro de Ouro não era suficiente. Como lembra o próprio José Carlos Santos, dando mais detalhes dos seus esforços na época. “Lancei a campanha da sede própria e, em entendimentos com a Prefeitura de São Paulo, praticamente conseguimos a cessão, em regime de comodato, de uma área da municipalidade na rampa direita do Túnel Nove de Julho. Com isso embaixo do braço, conseguimos várias contribuições. Ao final do meu mandato, tive uma úlcera do duodeno e uma séria advertência médica me afastou da entidade. Tempos depois, soube que os entendimentos com a Prefeitura tinham dado em nada e que as subvenções nunca foram recebidas”. Mas a idéia, nem de longe, morreria ali.

Em 1959, é realizado novo movimento, que não chegou a decolar. Nesse ano, foi inaugurado um restaurante na sede da entidade, que comercializava refeições a preços subsidiados para os sócios da APP. A implantação do restaurante tomou muito espaço nas discussões da entidade, como registram as atas do final dos anos 50. Mas após sua inauguração, gerir o refeitório se provou mais um problema, que uma solução.

Em 1964, o Presidente Paulo Nascimento, fechou o problema: “Eu passava mais tempo das nossas reuniões discutindo o preço do bife do que questões vitais para o negócio. Tínhamos então cerca de dois mil e quinhentos sócios, mas na maioria boys das agências que iam lá para comer mais barato e jogar bilhar. Não era essa a vocação da APP”.

Essencial continuava sendo a sede.

Em 1965, a entidade recebe um empréstimo de 80 mil cruzeiros da Caixa Econômica Federal, destinado ou à aquisição da sede própria ou à compra de imóvel que, com sua valorização, pudesse gerar os recursos necessários para sua aquisição. Foi adquirido então um terreno no bairro do Tremembé, com esse fim. Mas essa iniciativa, como as demais até então, também não teria solução de continuidade.

Foi apenas a partir do primeiro ano da gestão de João Natale Neto, iniciada em 1974, que a entidade chegaria lá. A forma de aquisição foi engenhosa: oferecer à construtora Adolpho Lindenberg, proprietária do imóvel e sua cliente na época, créditos na forma de anúncios em jornais de grande circulação que apoiavam a entidade. Assim foi quitada mais de 80% da dívida, que em 1975 foi integralmente encerrada.

O texto do livro Depoimentos é definitivo quanto a tão almejada conquista: “Foi durante essa gestão que o sonho acalentado se concretizou: a aquisição da sede própria, no topo de um edificio de escritórios na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, frente às instalaços do Hipódromo de Cidade Jardim e em um dos bairros mais sofisticados da capital paulista. Finalmente os publicitários paulistas tinham casa própria, ao menos, em termos de sua associação profissional”.

Era verdade. Mesmo tendo percorrido até ali algumas décadas de batalhas e conquistas, havia ainda muita coisa a ser feita pelo negócio da propaganda. Mas ao menos, a partir daquele momento, havia um local oficial e próprio para se fazer isso.

Entre 84 e 86, na gestão de José Carlos Salles Neto, Presidente da Editora Meio & Mensagem, a sede ganhou decoração e móveis novos, doados pela Editora Abril, na figura de Olga Krell, então editora responsável pela Revista Casa Claudia.

Em 1993, na gestão de Carlos Alberto Nanô, presidente da empresa exibidora de outdoors, Nanograf, a sede passou por uma grande reforma arquitetônica que a modernizou, incorporou no andar superior um bar e um espaço para eventos, além de um auditório. Os gastos foram amparados por empresas de mídia e fornecedores da comunicação, que cederam espaços e serviços para viabilizar as necessidades de caixa das novas mudanças. Colaboraram a Editora Abril, Editora Azul, Editora Globo, Editora Três, SBT, Rede Globo de Televisão, Rede Bandeirantes, Grupo de Mídia e GTEC Produção e Video-comunicação.

Pois foi aí que a APP seguiu com suas contribuições para a propaganda brasileira. Com o mesmo espírito de sempre. No mesmo endereço desde então.