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Brasil: sejamos desbravadores de trilhas

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(*) Marcelo Passos

Li um artigo outro dia de Vannevar Bush que, em 1945, apresentou ao mundo conceitos que até hoje são bastante discutidos: a profissão de “desbravadores de trilhas”, que são aqueles que conseguem separar a informação de valor entre outras tantas que não geram qualquer significado.

O termo “desbravadores de trilha” ficou martelando na minha cabeça até eu perceber que temos que ser desbravadores em absolutamente tudo o que fazemos, principalmente na questão do empreendedorismo.

Empreender não se resume no desafio de montar um novo negócio apenas, o que por si só já é um grande desafio, mas no comportamento que está por trás dessa ação e é impulsionado por uma atitude de descontentamento ou crença de que algo pode melhorar. Essa mesma atitude que mobiliza a manifestação de um novo negócio pode se materializar no desenvolvimento de carreiras incríveis dentro das empresas.

Proponho aqui um exercício:

Se cada um de nós olhar para o momento que o Brasil está passando e reconhecer que, lá no fundo, somos a “bola da vez até o encerramento das Olimpíadas de 2016” e se os investimentos em educação e infraestrutura continuarem minguados como estão, voltaremos das comemorações e teremos diante de nós a realidade de um país que não olhou seriamente para si e que, após a euforia dos jogos, estará novamente correndo atrás do prejuízo de anos, porque não pensou no coletivo. Portanto, empreender é, sim, cuidar e ir além das estratégias de cada empresa, de cada carreira, pensando no coletivo. Em vez de apontarmos erros e reclamarmos do ”status quo“, é hora de arregaçarmos as mangas e mudarmos essa probabilidade. Não adianta criticar, temos que fazer.

No plano individual do empreendedorismo, e especificamente na minha área, ser um “desbravador de trilhas” significa entender, mergulhar e ir além do negócio do cliente, enxergando o quanto ele também pode elevar a categoria, se beneficiar com isso e não ficar atento apenas à sua “micro” realidade.

Essa é a estratégia do futuro, em que empresas construirão o mercado em conjunto, com o pensamento no coletivo e não o contrário. O que vai diferenciar umas das outras? A capacidade de inovar e se distinguir  dentro desse novo mercado, desbravando sempre uma nova trilha. Empreender dentro ou fora das empresas é cada vez mais essencial para a sobrevivência competitiva. Como costumo dizer aqui na agência: “Pensar e agir como dono”. Enfim, um “ganha-ganha” infinito para o mercado, empresas e, principalmente, para os profissionais. Que tal?  Vamos empreender?

(*) Marcelo Passos é Diretor-Geral de Atendimento e Gestão da Africa