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A imprensa especializada

A propaganda brasileira tem muitos pilares que a fortalecem, fora do estreito círculo anunciante/agência/mídia/consumidor.

Armando Ferrentini

A propaganda brasileira tem muitos pilares que a fortalecem, fora do estreito círculo anunciante/agência/mídia/consumidor.

Um deles é a imprensa especializada, que entre nós desde há muito deixou o amadorismo, transformando-se em altamente profissional, para logo depois constituir-se empresarial, ficando-se em bases sólidas que lhes dão vida longa e a vantagem (na verdade obrigação) da independência.

Mas, nem sempre foi assim e se hoje o cenário lhe é amplamente favorável, deve-se a poucos pioneiros ainda em ação e que apostaram suas fichas em um segmento difícil, onde o leitor – principal objetivo de qualquer meio impresso – ou o internauta, para ser mais consentâneo, é também o seu anunciante e amigo, além de outras coincidências, como por exemplo, ser igualmente o personagem das suas matérias.

Isso poderia criar, como já criou no passado, um conflito nem sempre solúvel, e exacerbado por eventuais críticas ao conteúdo das peças publicitárias ou, ainda mais caliente, pelas revelações de negócios que pela própria natureza dos mesmos, deveriam ficar sob sigilo até a conclusão, com final feliz para as partes envolvidas.

Nem sempre é assim, porém, devido a um dado corriqueiro: enquanto a estas compete preservar o segredo a todo custo, aos jornalistas compete o oposto: revelar o que sabem, especular sobre o que desconfiam, trazer, enfim, os fatos ao conhecimento da opinião pública.

Quando os jornais eram os mais disputados meios de informação, dizia-se que eram feitos para divulgar e não para esconder notícias.

Essa briga de gato e rato provoca amiúde situações delicadas, mas há sempre que saber separar o joio do trigo. É possível guardar segredo de algo grandioso que está ocorrendo nos bastidores?

Para os envolvidos, sim. Porém, quando as fontes não se cercam desse cuidado, não podem depois culpar quem apenas cumpriu a sua missão.

Mas, este é apenas um aspecto dessa atividade tão intensa, que também ajuda, e muito, a divulgar a boa comunicação publicitária, as boas agências e produtoras, a qualidades dos meios e dos fornecedores do mercado e, sobretudo, dos empresários e profissionais que fazem da publicidade brasileira uma das melhores do mundo. Cabe aqui um registro especial aos nossos anunciantes, que muito depressa entenderam aqui no Brasil a importância da construção e valorização das suas marcas.

A imprensa publicitária está aí para contar essa história.

 

* Armando Ferrentini é Jornalista e diretor-presidente da Editora Referência Ltda.