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PUBLICAÇÕES SEGMENTADAS AUMENTAM CONHECIMENTO ESPECÍFICO

RosedeAlmeida

Dizem que um bom jornalista perde o amigo mas não perde um furo, aquela notícia bombástica que, teoricamente, ele será o primeiro a publicar.

Contudo, nem sempre esta prática torna o veículo ou mesmo o jornalista merecedor de atenção e respeito, embora esteja no exercício pleno de suas funções profissionais.

Na minha época como repórter passei inúmeras vezes por esta situação e, dependendo do chefe que tinha, sabia se podia contar ou não os “offs” de uma conversa. Não foram poucas as vezes em que omiti alguns detalhes por entender que me foram confiados em respeito e deferência.

Depois de 30 anos passeando por redações de veículos do trade publicitário confesso que não me arrependi desta prática que me manteve idônea junto aos entrevistados e digna da amizade que me rendeu sempre ótimas entrevistas e facilidade de acesso até aos mais famosos e ocupados.

Uma rápida volta ao passado, num momento em que a internet ainda engatinhava e as notícias chegavam aos leitores apenas depois de impresso o jornal ou a revista, prova que o furo realmente era algo impactante. Situação bem diferente de hoje quando um post, um blog ou uma ação viral, independente da repercussão na mídia especializada autorizada pela assessoria de imprensa, faz uma notícia “bombar” no mercado.

Confesso que defender a importância da imprensa especializada em propaganda no desenvolvimento dos profissionais e do negócio da publicidade é tarefa árdua e requer uma boa dose de ousadia. As gerações que cresceram motivadas por matérias entusiasmadas que mostravam publicitários com salários astronômicos, com vida fácil, sempre em festas e badalando em Cannes devem estar deprimidas com a vida real em agências ou produtoras.

Entretanto não se pode negar que enquanto publicações segmentadas, os veículos dedicados a cobrir o trade publicitário ou ainda as colunas específicas sobre este assunto nos meios de comunicação de massa são imprescindíveis para manter a conversa em um nível elevado.

É através da disseminação de assuntos pertinentes aos publicitários, às agências, aos anunciantes, às entidades do setor, aos fornecedores e aos jovens interessados neste assunto que o próprio mercado se alimenta, se aperfeiçoa.

Acredito que é na diversidade de opiniões, nos formatos dos veículos do trade, no discurso e na defesa de uma categoria que se fortalecem as boas práticas e se estimula a ética e a reflexão. Todavia, recomendo uma leitura multifacetada, informando-se em várias fontes para criar uma definição própria, impar, desapegada.

Num mundo que transformou mais na última década do que em um século, é muito pouco para pessoas antenadas permanecer no discurso de um único meio. Hoje é tudo tela e elas mostram exageradamente que há opiniões diversas, múltiplas, impressionantes e que nos cabe fazer escolhas inteligentes.

Rose de Almeida, sócia da Sílaba e editora da CENP em Revista.
Idealizadora da consultoria em gestão de comunicação Rent My Brain