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“QUE PAPO MAIS ANTIGO…¨

Velocidade. Inovação.  Duas palavras que fazem parte do cotidiano das pessoas no mundo atual. Em qualquer campo de atividade profissional. A alta velocidade do avanço tecnológico impacta no ambiente profissional, no convívio familiar, no comportamento da sociedade.

Tudo é muito rápido e, portanto, efêmero. Tudo que se inova é rapidamente superado, aprimorado, desviado e portando, descartável. A novidade de hoje estará superada nos próximos meses, ou dias.

No âmbito da comunicação esta constatação é avassaladora. Menos comprometida e até destruidora, diriam os mais céticos.

Neste contexto estão empresas, modelos de negócios, descoberta de formas eficientes no campo da comunicação. Se a ferramenta nova é superada, o desejo é acompanhar a evolução para prestar o melhor serviço, o mais adequado, o mais criativo, o mais integrado. Como sempre foi.

É certo que hoje há uma disputa ferrenha pela participação de mercado em função da existência de um número muito maior de “players especialista”, todos os candidatos ao sucesso, com ou sem estrutura, com ou sem Jobs. Muitos especialistas e poucos generalistas.

Imaginado a comunicação como um restaurante é quase que obriga-lo a ter o melhor chef para cada especialidade, depois de definido o prato. Ou então o “bolo será fatiado”

No meio do tiroteio estão as entidades de classe. Aquelas associações com cara de antigas, desnecessárias, com a sensação de “cheirar mofo”.

É certo que tiveram importância no passado da comunicação no país. Um cenário mais organizado, menor em participantes e menores caminhos de comunicação. Mas foram fundamentais na criação e desenvolvimento profissional de uma atividade que começou a engatinhar a pouco mais de meio século. Mas foram fundamentais na defesa de interesses empresariais que fortaleceram e deram relevância ao talento criativo e aprimoramento de técnicas de comunicação. Mas foram fundamentais na organização e legalização de uma profissão até então inexistente. De quebra, criaram, defenderam, evoluíram princípios éticos. Coisa antiga, “cheira a mofo”, mas o maior patrimônio que líderes empresariais deixaram para que a comunicação brasileira esteja entre as melhores do mundo.

Tudo conquistado com muito sacrifício, com dedicação de “horas-extras”, priorizando o futuro de toda uma categoria profissional, na frente dos interesses diretos de seus negócios.

O que se pergunta, é o que mudou? Será que esta situação de conviver com coisas efêmeras, descartáveis, superáveis, independem de se dar espaços (ou alertar para profissionais que precisam pensar na preservação de uma atividade, da evolução contínua de um negócio necessário para o desenvolvimento de empresas e, consequentemente para o país?).

Vejamos:

– Desenvolvimento profissional: antes era preciso porque havia a necessidade de aprimorar conhecimento. E hoje?

– Interesses empresariais: antes “o inimigo não estava em casa”, porque era preciso consolidar a relevância de uma profissão. Hoje o “inimigo vive em casa”. Mas a discussão, evolução para manter sadia a existência de empresas, é o mesmo.

– Organização e legalização: antes eram necessários, porque fez parte da formalização de uma atividade até então inexistente. Hoje está um mercado conturbado, revirado, uma torre de babel, um bloco na avenida tocando e cantando em tons diferentes. Faz-me lembrar do cara que foi pela primeira vez participar de uma suruba… Não é o caso de conversar, estabelecer uma “ordem na casa?”

– Ética – Esta não precisa nem situar porque, em tese, nada deveria mudar.

Que caminhos poderiam ser percorridos, para chamar a atenção das lideranças da comunicação de hoje para contribuir na manutenção (e necessidade) dos trabalhos importantes que ainda as entidades de classe podem fazer na melhor preservação da atividade de comunicação?

Dedicação, com certeza. Algumas horas extras dedicadas, além daqueles dedicados à suas empresas. Sempre foi assim.

Educação: os jovens ingressantes no mundo fantástico da comunicação devem aprender sobre a necessidade desta preservação. Caso contrário, ficarão no desejo de serem criativos, inovadores, especialistas, comandando startups e, correndo um grande risco de se transformarem em “descartáveis”. A área da comunicação precisa mais do que isto para estes ingressantes serem importantes no desenvolvimento da economia de um país.

Dá para dedicar um tempo neste assunto e perceber que este papo não é antigo? É atual.

Por José Francisco Queiroz