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Walter Longo fala sobre o Trilema Digital no 21° Festival Mundial de Publicidade de Gramado

A edição de 2017 do Festival Mundial de Publicidade de Gramado iniciou ontem,  7 de junho, com a palestra “O Trilema Digital”, ministrada pelo Presidente do Grupo Abril, Walter Longo. Ele discursou sobre os principais “trilemas” que a tecnologia e a sociedade globalizada provocaram no modo de pensar e agir. Longo apresentou as questões de Exteligência, Tribalismo e Compartilhamento e as classificou como trilemas, pois não as julga como problemas. Afirmou que as notícias amargas de tempos difíceis são o custo que temos para criar um novo Brasil: “São as dores de parto de um novo país, não sabemos se será cesariana, ou natural, mas um novo país, que com muito orgulho e felicidade vamos entregar aos jovens”, explica.

Com a apresentação do trilema, Longo fez um alerta a todos sobre os desafios, responsabilidades e impactos determinantes que o universo digital traz para a sociedade e a economia, sendo o primeiro deles a Exteligência, fenômeno causado pela falta de curiosidade. “Antigamente todas as informações eram guardadas na memória, hoje, tudo o que queremos saber está disponível ao toque de um botão, o que é espetacular para a sociedade, porém, sem informação na cabeça os neurônios não fazem sinapse, ou seja, não há criatividade e geração de insights”, afirma o palestrante. Segundo Longo, isso nos leva a exteligência em rede, onde existe a perda na qualidade do pensamento. “Sem o combustível do pensamento, não vamos muito longe. A curiosidade é uma atitude ativa e não passiva, estamos no momento em que mais podemos aprender e não queremos aprender, pois a internet nos liberta de cruzar o que não temos interesse”.

O segundo trilema trata-se do Tribalismo, ou seja, nada do que é diferente nos atrai: “Quando eu era mais novo, acabava por fazer tudo o que meus pais faziam, ouvia música clássica junto com o meu pai, mesmo não gostando, o que com o tempo, se tornou um hábito e eu acabei por apreciar esse estilo musical, o que hoje não acontece. O que contradiz a nossa opinião não nos interessa e não queremos saber”, exemplifica. Segundo Longo, é preciso ampliar os horizontes para o contraditório, pois ele força a rever, confirmar e até mesmo alterar certos conceitos, gostos e opiniões, muitas vezes desconhecidas. “Só lemos opiniões que estejam de acordo com as nossas crenças. Além disso, são formados grupos que discutem temas como política e até mesmo ciência, para combater outros grupos que pensam diferente. Estamos assistindo o fim do contraditório e a perda de opinião, isso se reflete na indiferença e na violência”, completa.

Já o terceiro trilema trata-se da questão dos riscos do compartilhamento e consumo consciente, nesta questão, o palestrante afirma que o mundo valoriza cada vez mais a redução do consumo e isso apresenta um enorme risco para a desaceleração da espiral econômica. “Um exemplo disso são empresas como o Airbnb, que embora sejam fundamentais para o desenvolvimento sustentável, pois representam menos construções de hotéis, apartamentos e, consequentemente, menos emprego e geração de renda”. Longo questionou sobre como vamos reduzir o consumo, mas avaliar o sucesso de uma empresa pelos seus números de produções e expansão? Para o palestrante, é necessário avaliar os modelos e encontrar uma solução para a crise eminente.

O palestrante finalizou com a afirmação de que a beleza da raça humana está na capacidade de encontrar soluções para tudo e continuar evoluindo. “Se não fossemos pessimistas talvez não encontrássemos soluções tão rápidas,  pessimistas são fundamentais na sociedade”. Longo concluiu a palestra com a ideia de que ser sustentável é contribuir com inteligência e criatividade, para tanto, é necessário abraçar o contraditório, colocar ideias na cabeça e fazer diferente para fazer a diferença.